
Gazeta Esportiva.com
·28 de marzo de 2025
Zubeldía rebate críticas sobre pouca utilização da base do São Paulo e garante: “Vão ter espaço”

Gazeta Esportiva.com
·28 de marzo de 2025
O técnico Luis Zubeldía iniciou a temporada com um ‘alvo nas costas’ no São Paulo. Com o decorrer do Campeonato Paulista, o treinador passou a ser muito criticado não só pelos resultados ruins, mas também por pouco utilizar os jovens de Cotia, que brilharam na conquista da Copa São Paulo de Futebol Júnior.
A torcida tricolor, por exemplo, começou a pedir mais oportunidades para alguns jovens como Matheus Alves, Lucas Ferreira e Ryan Francisco – este último brilhou na Copinha e até chegou a ganhar minutos com Zubeldía. Na visão do comandante, porém, é preciso ter cautela no processo de transição para o profissional.
“A base, esses garotos tiveram uma exposição importante com a Copinha, com a conquista dos dois títulos, e creio que fizeram um trabalho excelente. Todo o staff que está na base, o treinador atual e os jogadores, fizeram um trabalho bárbaro. Eu, que estou aqui no profissional, junto com a minha comissão, tenho que ter um pouco mais de cautela, um pouco mais de paciência. Ir manejando os tempos (de jogo)… te diria que, de todas as áreas, tenho que ir manejando os tempos, também dos garotos da base. O que acontece… nós voltamos dos Estados Unidos, começamos o Paulista. O Paulista parece um torneio simples, mas se você empata ou perde um jogo, a pressão cresce e se você não se classifica, ou cai nas quartas de final, está tudo péssimo. E depois dessa, não há volta (risos). Então está tudo muito lindo, colocar os jovens para jogar e tudo mais, mas a realidade é outra. A realidade é que as exigências são altíssimas, seja qual for o torneio. O que nós mais temos que pensar é em armar um elenco que, com o calendário extenso que vem, os garotos tenham espaço indiscutivelmente. E vão ter espaço, porque saíram 15 jogadores e vieram somente quatro. Os números nos indicam que vão ter espaço”, afirmou o técnico em entrevista ao UOL.
Zubeldía, então, citou o exemplo de Maik. O jogador de 20 anos vinha jogando como lateral, mas começou como volante. O argentino mencionou o caso do garoto para explicar o que pensa sobre a situação dos jovens e garantiu que eles terão mais espaço no devido momento.
“O que passou com Maik é o seguinte. Quando Julio (Casares) nos disse da possibilidade de trazer Cédric (Soares), eu não o havia pedido. Claro, depois vimos um rendimento bom de Cédric. Nos pareceu importante que Maik siga crecsendo nessa posição, porque ele era volante antes. Na posição de lateral, que siga acumulando minutos, que alterne entre o setor ofensivo e defensivo, que siga jogando na base e treinando no profissional, porque se acontece algum imprevisto, ele já está mais preparado. Se deu por uma questão de que, agora, temos dois laterais. Mas não é que não contamos com Maik. Ao contrário. E o caso de outros jogadores, como Matheus Alves, Lucas Ferreira e Ryan Francisco. Nós tivemos a possibilidade de trazer outro centroavante. Saí de férias em dezembro pensando em outro atacante. Comecei o ano com Juan, Calleri e André Silva, três atacantes. E Calleri esteve lesionado em certo momento, e Juan jogou. Então fui pensando nessa situação. Agora, quando vi o rendimento de Ryan na Copinha, no Paulista e nos treinamentos, disse que não precisava mais buscar um centroavante. Ryan já pertence ao profissional. É um 50/50. Vai ter oportunidades, porque existe uma organização. Agora, temos que rezar para que dê certo. Temos que protegê-los, para que eles não se confundam e para que o entorno não os confunda. Isso me preocupa mais do que colocá-lo para jogar”, justificou Zubeldía.
O comandante ainda destacou que as chances para os jovens virão no momento certo, especialmente após as chegadas de jogadores não terem sido proporcionais às saídas. O São Paulo contratou apenas quatro atletas para a atual temporada: Oscar, Enzo Díaz, Cédric Soares e Wendell.
“A partir de dezembro, já íamos projetando as saídas, as possíveis chegadas. Para nós, era muito importante trazer um jogador como Oscar, porque sentíamos que não tínhamos esse tipo de jogador. E depois, entendemos que jogadores importantes também sairiam. Que apesar de não terem os minutos dos titulares, eram jogadores que tinham contribuído muito, pelo menos para o meu processo. Jogadores que utilizávamos como titulares em certos jogos quando o calendário apertava, e na rotação também. 14 jogadores saíram. E o tema era como compensar, porque não podemos trazer a mesma quantidade de jogadores que saíram, por uma questão também econômica e por termos tomado a decisão, de uma maneira conjunta, de dar mais espaço aos jogadores da base. Existem momentos diferentes da temporada que te permitem fazer isso ou não, mas o tema de incluir os jovens está diretamente relacionado a dar espaço a eles na organização do plantel”, apontou.
“Com a saída desses 14 jogadores, o que nós fizemos foi fazer um monitoramento dos jogadores que mais se destacaram no sub-20 e automaticamente integrá-los aos treinos com os profissionais. Não fizeram isso na pré-temporada porque estavam na Copinha. E foi uma decisão nossa em conjunto. Conversei com Julio (Casares), Carlos (Belmonte), Muricy (Ramalho) e eles me disseram que eles tinham que jogar a Copinha. Depois, seriam incorporados. Perderam a pré-temporada, que é uma parte importante, mas eles se deram bem, ganharam a Copinha, adquiriram experiência, jogaram, e depois os incorporamos. É um desafio muito importante e muito ousado, porque hoje, se tem um plantel de 30, 31 jogadores, e 30, 32% é formado por esses garotos que subimos. Agora já depende deles, também, de se impor e manter o nível que mostraram na Copinha. O que vejo deles é uma condição física muito boa, uma condição técnica muito boa, e que bate com o que mostraram no sub-20. O que vejo agora, nos treinamentos, é o que mostraram nos jogos. Penso que vão ter seu momento, porque o elenco é curto, e porque eles vão fazer por merecer”, completou.
Zubeldía também comentou sobre a relação com Luciano e o papel do camisa 10 no elenco do São Paulo. O treinador também já foi criticado por parte da torcida que entende que o jogador teria vaga cativa entre os titulares da equipe. O argentino, entretanto, deixou claro que sempre segue suas convicções.
“Veja, o Luciano é um jogador muito importante. Já disse isso publicamente, aos dirigentes, ao elenco e a ele. Na última semana do ano passado, nos reunimos, conversamos, expliquei que ele era um jogador muito importante, mas que não lhe garantia a titularidade. Apesar disso, não iria contra as minhas sensações, e a minha sensação é que é um jogador muito importante. A partida mais importante do ano passado foi a das quartas de final contra o Botafogo. Vocês sabem o que a Copa Libertadores significa para o São Paulo? Luciano ficou no banco nas duas partidas (ida e volta). Jogou William Gomes. Quantos anos tinha William Gomes? 18 para 19, com um monte de conceitos para melhorar e tudo. E Luciano ficou no banco. Agora, no Paulista, contra o Novorizontino, foi banco e não entrou. O coloquei contra o Palmeiras porque sentia que esse jogo, para ele, era importante para a nossa estratégia. Nesse tema, sempre falo com a minha convicção. Quando sinto que um jogador não tem que jogar, ele não vai jogar. Mas vai ser sobre o que eu penso, e não sobre o que pensam os demais”, explicitou.
“E se tem algo que aprendi aqui, é que, quando Luciano faz um gol, ninguém diz nada. Vão e lhe dão um abraço. Agora, quando as coisas não dão certo, o culpado parece ser sempre ele. E isso eu não admito. Depois, eu decido quem joga, a estratégia, se um jogador joga melhor aqui ou ali, podemos discutir. Mas as coisas não são assim como às vezes se mostram, de que quando perdemos um jogo, apontamos com o dedo de que a culpa é de um jogador. E quando faz um gol, estamos todos perto para tirar uma foto. Tenho claro que alguns jogadores estão em uma fase extraordinária, como Oscar, Lucas Moura, que Calleri ganhou seu lugar com muito esforço, fazendo gols muito importantes, e que Luciano fez muitos gols pelo São Paulo, mas as coisas são como são. Quando sinto que alguém não tem que jogar, não vai jogar”, complementou o treinador.
Por fim, Zubeldía também falou sobre o que, ao seu ver, faz a diferença no Campeonato Brasileiro. O São Paulo estreia na competição nacional neste sábado, contra o Sport, às 18h30 (de Brasília), no Morumbis.
“O que creio que é importante no Brasileirão é que todas as partes internas – jogadores, dirigentes, comissão – estejam sincronizados e unidos, trabalhando a equipe. E que isso seja transmitido aos torcedores. Por que isso é tão importante? Porque o Brasileirão não te garante que você vai estar sempre ganhando. O Brasileirão é tão louco que você está sempre oscilando nos resultados. E o equilíbrio institucional é o que faz a diferença ao meu ver. Eu me perguntava porque demitiam os treinadores a cada três meses. Simples: porque se joga tão seguido, que alguém tem que sair. Alguém tem que levar a culpa. Em outro ambiente, se joga quatro partidas em um mês. Aqui, se joga quatro partidas em 12 dias. Para mim, futebolisticamente, o segredo é ser prático para saber resolver as diferentes situações que vão se apresentando dentro do Brasileirão”, finalizou o comandante.