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Central do Timão
·27 février 2025
Diretor financeiro do Corinthians detalha desafios e estratégias para reestruturar a dívida do clube
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·27 février 2025
O diretor financeiro do Corinthians, Pedro Silveira, detalhou os principais desafios enfrentados pelo clube na gestão de sua dívida e o planejamento estratégico adotado para melhorar o fluxo de caixa. Em entrevista, ele explicou as prioridades diárias da diretoria, que se concentram no equilíbrio entre receitas e despesas, além de como a dívida foi segmentada em cinco grandes pilares.
“Falando do dia a dia, a gente precisa focar no que precisa ser feito e nos maiores desafios. Quais são os maiores desafios? Uma dívida muito alta, um fluxo de caixa muito apertado, como você busca mais receitas e diminui as despesas. Esses são os principais desafios. A agenda é dividida em torno da dívida; podemos entrar nos detalhes, já fizemos muito em pouco tempo. A dívida foi dividida em cinco grandes pilares, e começamos a tratá-los de maneira resolutiva”, disse Silveira ao podcast Sports Market Makers.
Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians
Sobre o primeiro pilar, que trata da dívida cível sem garantia, Silveira destacou os esforços para reestruturar a situação junto aos credores: “O primeiro pilar é a dívida cível sem garantia, que anunciamos no Regime de Centralização de Execuções (RCE), uma medida de reestruturação com os credores. Para aprovar isso internamente no Corinthians, agradeço ao conselho deliberativo, que montou uma comissão que nos ajudou muito. Também ao diretor jurídico, Vinícius Cascone, e ao apoio do presidente Augusto. Tomar uma decisão dessas dentro do clube exige muita coragem, apoio e conversa.”
“Conseguir avançar internamente com a RCE foi um grande feito desta gestão. Agora, estamos aguardando a validação do plano pelo juízo. Uma vez aprovado, isso representará um marco significativo, pois destrava a dívida que bloqueia judicialmente nossa conta e amplia o prazo para operarmos o fluxo de caixa”, completou o diretor.
Silveira também explicou o projeto com a CRND, órgão da CBF responsável pelas negociações relativas a jogadores, salários e direitos de imagem.
“Estamos com outro projeto importante com a CRND, que regula todas as negociações e dívidas em relação aos jogadores brasileiros. A CRND é um pacote bem menor, cerca de R$ 70 milhões, comparado aos quase R$ 400 milhões da RCE. O objetivo é renegociar essa dívida, ampliando o prazo para o pagamento. Queremos falar com os credores: ‘Estou aqui, sei que devo, quero pagar, mas preciso de prazo para encaixar no fluxo de caixa'”, explicou Silveira.
Em seguida, o diretor financeiro apontou outros pilares em desenvolvimento, como o planejamento tributário e a negociação com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN): “Esses são os principais pilares, mas estamos trabalhando em outros, como um planejamento tributário mais agressivo e uma negociação com a PGFN que está em andamento. Também precisamos olhar para a dívida da Arena, que é muito alta, e explorar diferentes alternativas, como a vaquinha das Gaviões, para reduzir esse peso.”
Por fim, Silveira abordou a questão das dívidas com a Fifa e o risco do transfer ban, punição aplicada pela entidade aos clubes que não cumprirem seus compromissos financeiros. Ele destacou a necessidade de uma estrutura específica para resolver essas questões.
“Temos também as dívidas com a Fifa, que estamos monitorando. Essas dívidas podem resultar no transfer ban, o que seria muito prejudicial. Por isso, precisamos encontrar uma solução, seja por meio de um fundo ou outra estrutura, para eliminar esse problema. Sem dúvida, isso ajudará a aliviar uma pressão considerável. As dívidas com a Fifa são um incômodo, especialmente pelo risco do transfer ban”, finalizou.
Vale destacar que, em documento apresentado à Justiça no início de fevereiro, o Corinthians informou ter R$ 926 milhões em dívidas com credores, incluindo fornecedores, agentes, jogadores e processos. Desse total, R$ 367 milhões estão no RCE. As dívidas tributárias somam R$ 817 milhões, enquanto os débitos da Arena totalizam R$ 661 milhões.
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