Coluna do Fla
·03 de abril de 2025
Briga, foguetório e viagem desgastante: ex-goleiro conta bastidores de último jogo do Flamengo x Táchira na Venezuela

Coluna do Fla
·03 de abril de 2025
Flamengo e Deportivo Táchira (VEN) voltam a se enfrentar após quase 35 anos. O primeiro e único duelo entre as equipes na Venezuela aconteceu no dia 18 de abril de 1991, com vitória rubro-negra por 3 a 2, em embate de ida das oitavas de final da Libertadores. Presente naquele confronto no Estádio Pueblo Nuevo, onde o Mengão atuará nesta quinta-feira (03), o ex-goleiro Gilmar Rinaldi conversou com exclusividade com a reportagem do Coluna do Fla para revelar bastidores do embate.
Na noite antes do jogo, torcedores do Táchira soltaram fogos de artifício em frente ao hotel onde a delegação do Flamengo se hospedou. A atitude dos venezuelanos revoltou os rubro-negros, e um integrante da delegação brasileira partiu para a briga com os donos da casa. O ex-goleiro recorda que, por muito pouco, o local que recebeu o Mengão foi alvo de invasão.
— Eles fizeram um foguetório em frente ao hotel e uns carros soltando foguetes, fazendo barulho, para que a gente não conseguisse dormir. E aí um dos nossos diretores na época, o Eugênio Onça, que tinha sido chefe de torcida (organizada), essas coisas, chegou e desceu -, iniciou Gilmar, em exclusiva para o Coluna do Fla.
— Ele foi na porta do hotel e deu um soco na cara do cara, quebrou a cara do cara, sangrou para caramba. Aí nós tínhamos que mandar ele fugir do hotel, praticamente, para ir embora. Eles voltaram depois com muito mais gente, com muito mais carros, fazendo quase que um quebra-quebra e soltando o rojão no hotel. Quando a torcida voltou, queria invadir o hotel e gritavam “queremos el gordo”, se referindo ao Onça -, acrescentou o ex-goleiro.
Do Rio de Janeiro a San Cristóbal, são 4.628 km de distância. Se hoje o Flamengo conta com voo fretado, há 35 anos, a realidade era outra. Gilmar Rinaldi conta que a chegada do Mengão ao estádio foi bem difícil e a infraestrutura da Venezuela na época não facilitou a logística rubro-negra.
— A lembrança daquele jogo, daquela viagem, foi que quando nós chegamos na Venezuela, era muito difícil de chegar na cidade, muito trânsito, engarrafamento, acho que desceu uma montanha lá também. Foi muito difícil para chegar no estádio, hotel também, a Venezuela não tinha muita estrutura na época -, comentou, antes de destacar como foi a pressão da torcida dentro do Pueblo Nuevo.
— O estádio lotou. A torcida gritava muito, para eles era um grande evento aquele jogo, né? E pressionaram muito, o jogo começou mais tranquilo, a gente chegou a fazer 3 a 0 (três gols de Gaúcho). E aí depois eles conseguiram fazer um gol, segundo, e aí virou uma fumaça até o fim. Mas conseguimos manter a vitória -, pontuou Rinaldi.
Ainda na entrevista ao Coluna do Fla, Gilmar Rinaldi, campeão do mundo com a Seleção Brasileira em 1994, contou mais detalhes daquele mata-mata de 1991 contra o Deportivo Táchira. Além disso, o ex-goleiro falou sobre o momento atual do time de Filipe Luís e rasgou elogios ao colega de posição, Agustín Rossi. Confira os outros trechos.
(Nota de redação: após o 3 a 2 no Pueblo Nuevo, o Flamengo venceu o Táchira por 5 a 0 no Maracanã)
“A diferença (de um jogo para o outro) foi o desgaste da viagem. A dificuldade de jogar, o campo era muito ruim e acho até que era o Vanderlei Luxemburgo na época, o treinador, e a gente sofreu bastante pelo campo, principalmente”.
(Nota de redação: após eliminar o Táchira, o Flamengo foi eliminado nas quartas, para o Boca Juniors-ARG)
“Coisas do futebol, né? Libertadores, na época, era diferente jogar com as equipes lá fora, não tinha os antidoping, não tinha nada, não tinha VAR e era muito difícil passar as chaves (fase de grupos). E essa geração toda estava se firmando ainda, foi quando eles subiram da base para o time principal. Depois, todos eles fizeram histórias, ou no Flamengo, ou fora de lá, mas naquele ano eles não estavam ainda totalmente consolidados lá no time”.
Flamengo em 1991/Foto: Reprodução
“Sobre o atual time, eles estão muito bem, é um time totalmente motivado, que ainda não enfrentou nenhuma dificuldade, que é o grande segredo de se perceber o trabalho de um treinador e dos jogadores. É no momento da dificuldade, no momento do revés. Vamos aguardar para ver o que vai acontecer, mas é um time que tem todas as chances de progredir e chegar até o final, até porque experiência o Filipe Luís tem de sobra e ele vai saber como andar o time na hora e no momento ruim”.
“Ele é um bom goleiro, um goleiro que em alguns momentos importantes tem se destacado e feito a diferença. Essa é a grande qualidade do goleiro. Não é jogar bem quando o time está ganhando de 4 a 0, o goleiro tem que jogar bem quando está 0 a 0 ou menos um ou algo assim, ou quando está ganhando de 1 a 0 com pressão. Está bem, eu acho que é um goleiro hoje que está à altura do Flamengo”.
Foto: Reprodução/ SporTV
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