
Gazeta Esportiva.com
·02 de abril de 2025
Romeu Tuma Jr. faz duras críticas a pedido de afastamento e esclarece situação de impeachment de Augusto

Gazeta Esportiva.com
·02 de abril de 2025
O presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians, Romeu Tuma Júnior, protocolou à Comissão de Ética do clube, nesta terça-feira, sua defesa em relação ao pedido de afastamento da função. Tal requerimento foi feito pelo presidente do clube, Augusto Melo.
Augusto alegou que Romeu não está sendo imparcial e neutro na condução do processo que está em curso e deve decidir pela destituição ou não do presidente do clube, por meio de votação no Conselho Deliberativo, devido a eventuais descumprimentos estatutários no momento da conclusão do contrato firmado com a VaideBet.
Nesta terça-feira, então, Romeu protocolou sua defesa e deu detalhes sobre como tem lidado com o requerimento contra sua pessoa. O presidente do CD alvinegro voltou a criticar a ação de Augusto.
“Estou aqui entregando minha defesa, na verdade, em respeito ao Conselho, em respeito também à Comissão de Ética do Conselho Deliberativo e principalmente em respeito à instituição Corinthians. Eu acho um pedido descabido, porque, na minha opinião, eu conheço muito o Estatuto do Corinthians, e não tem previsão legal para você pedir suspensão, afastamento preventivo, liminar de conselheiro e de presidente do Conselho. O Estatuto é muito claro. Não cabe isso, você tem que dar direito à ampla defesa. Aliás, é aquilo tudo que têm reclamado. As pessoas no clube têm direito à ampla defesa, ao devido processo legal, e eu também acho que eu tenho que ter esse direito. Até porque não há nada mais fácil do que defender a instituição Corinthians e proteger o Estatuto, pedir para que se cumpra o Estatuto. Antes de ser eleito presidente do Conselho, eleito pelos meus pares, eu sempre fui oposição, conselheiro que lutou muitas vezes para que o Estatuto fosse respeitado. Como presidente do Conselho, eu não poderia desrespeitar o Estatuto ou permitir que alguém o desrespeitasse. Então eu não acho que caiba suspensão liminar do presidente do Conselho, sem julgamento, sem direito a se defender. Quais são as acusações que pesam contra mim? Que eu obedeço as regras do Estatuto? Que eu peço para as pessoas cumprirem o Estatuto? Eu tenho obrigação legal estatuária”, disse em entrevista à Central do Timão.
Romeu Tuma Júnior, então, falou sobre o processo de condução do impeachment do presidente Augusto Melo e negou qualquer tipo de envolvimento no pedido da ação.
“Veja, por exemplo, o processo de impeachment. As pessoas precisam entender que eu não pedi o impeachment do presidente Augusto. Eu sempre fui parceiro do presidente, na eleição nós estivemos juntos. Agora, quando vem um pedido de impedimento do presidente ou dos vices, eu não posso fazer diferente do que o Estatuto determina. Se vocês resgatarem no noticiário, no começo, a oposição falava que eu estava protegendo o presidente. Depois, quando começou a andar o processo e foi para julgamento, os partidários disseram que eu estava acelerando o processo. É natural que o juiz do caso, o presidente do Tribunal vamos dizer assim, que é mais ou menos o meu papel, seja atacado pelos dois lados. Significa que ele está fazendo certo. Porque as pessoas que acompanham o Corinthians no dia a dia são testemunhas de que muitas vezes não se cumpriu o Estatuto no Corinthians. Aliás, é uma grande reclamação da nossa torcida, e eu era um que reclamava. Por que eu fui eleito presidente do Conselho? Justamente por isso. Para fazer cumprir o que está no Estatuto, doa a quem doer”, afirmou.
O presidente do CD corintiano também deu a entender que o pedido de afastamento protocolado por Augusto Melo talvez não seja contra exatamente ele, mas sim contra os órgãos de fiscalização do clube, que tem feito o trabalho de apurar irregularidades em contratos, como no caso VaideBet.
“Talvez seja aquilo que as pessoas não querem que seja fiscalizado. Reclamamos tanto na época da Renovação e Transparência, eu era um árduo cobrador das coisas que aconteciam. E por que não podemos cobrar hoje? Você já viu, por exemplo, o relatório da Ernst & Young? O presidente falou que mandou investigar, e a gente viu que tem um contrato que mandou investigar as gestões passadas. O que eu quero? Quero que apresentem o que tem contra as gestões passadas para a gente tomar providências se houver alguma coisa. Se não houver, nós vamos falar que não tem nada”, destacou o dirigente.
Romeu Tuma Júnior também mencionou que o Conselho não recebeu o relatório da empresa de consultoria Ernst & Young (EY), contratada pelo Corinthians para auxiliar em governança, controles internos e apoiar o departamento de futebol.
“Não recebi os relatórios, e o Conselho tem cobrado. Aliás, o Conselho apurou muitas coisas. No dia que eu ganhei a eleição no Conselho, teve um conselheiro, que me apoiou, que pediu e nós votamos um requerimento. Eu determinei que a Comissão de Justiça que nós montamos apurasse quatro, cinco contratos da gestão anterior. Foi apurado, o resultado foi apresentando no Conselho. Eu nunca sentei em cima de nada. Não embarriguei nada. Tudo que é pedido dentro das regras, a gente faz. Não podemos criar uma guerra. O que temos de questões de cobrança, apuramos. Essa é a via democrática do clube. Agora, eu não posso ver isso se virar contra mim porque eu cumpro o Estatuto”, explicou Tuma.
“Eu não protejo ninguém, eu protejo o Estatuto do Corinthians. As coisas têm que ser passadas à limpo. Eu virei o alvo. Não acho que é porque sou eu, é porque estamos tomando decisões de investigar tudo. É nosso papel. Até porque, hoje, poucas pessoas conhecem isso. Nós temos a Lei Geral do Esporte, que é recente, e ela tem uma previsão legal que, aquele que é parte de um órgão de fiscalização, recebe uma denúncia e não dá andamento, não manda apurar, ele passa a ser responsável pelos danos sofridos pela instituição. Então assim, associamos à questão financeira. Se houve prejuízo, eu recebi uma denúncia e não mandei investigar, eu entro com meus bens para pagar a conta. Não é só querer, nós somos obrigados. Se não, viramos solidários à qualquer prejuízo que o clube sofra”, completou.
Romeu Tuma Júnior também respondeu o que falta para a marcação da data da votação do impeachment do presidente do Corinthians. A reunião para decidir o futuro de Augusto, inicialmente, aconteceria no dia 28 de novembro do ano passado. Porém, com a reunião prestes a começar naquela ocasião, Augusto Melo apresentou uma decisão liminar da Justiça que refletiu no adiamento do pleito.
Posteriormente, a liminar foi derrubada, mas os eventos de final de ano, como Natal e Réveillon, fizeram o Conselho aguardar até o primeiro mês de 2025 para retomar o assunto, principalmente após as novidades reveladas sobre o caso VaideBet, graças aos depoimentos do proprietário e do diretor finaneiro da empresa à Polícia, além da entrevista concedida por Toninho Duettos, com exclusividade, à Gazeta Esportiva.
“Estamos agindo dentro da legalidade. Repito, não fui eu que entrei com o pedido de impeachment. Foi um grupo de conselheiros que apresentou um requerimento pedindo o impeachment por entender que ele cometeu algumas ilegalidades e irregularidades de acordo com o Estatuto do Corinthians. Tinha o relatório da Comissão de Justiça, que eles mandaram apurar várias coisas, e pediram o impeachment. É verdade que ele tentou ir várias vezes na Justiça, alegar que ele não teve direito de defesa, alegar que o processo estava maculado, que eu estava agindo com parcialidade. Todos os pedidos foram recusados, o que é prova de que eu estou agindo dentro do que manda a lei, do que manda o Estatuto, ainda que muitas vezes ele tenha atacado minha honra na imprensa, no próprio Conselho. Com muita prudência, entendo que o momento é tenso e ele acaba perdendo a cabeça. Vamos para frente. Também temos que ter resiliência para entender o que passa nas cabeças das pessoas que estão em julgamento”, explicou.
“O que estamos esperando hoje para dar sequência nisso: que tenha segurança no clube. Existe alguns conselheiros que querem votar dentro de um Batalhão da Polícia Militar, o que já nos foi oferecido. Só que eu acho que isso sim pode macular a imagem do clube. Não dá. Eu sou corintiano desde que eu nasci, há mais de 60 anos. Sou conselheiro há muitos anos, fui oposição por muitos anos, e muitas vezes sozinho. Nesse Conselho atual nosso, pouca gente não foi Renovação e Transparência, o próprio presidente Augusto inclusive. Eu acho que você levar uma votação de impeachment do presidente do clube para dentro de um Batalhão, para ter proteção, é o fim. É decretar o fim da nossa instituição. Eu me recuso a isso. Apesar de, repito, muitas pessoas terem me pedido por medo, por insegurança. E outra coisa, não sou que tenho que garantir a segurança dos associados e conselheiros. Eu tenho procurado fazer isso, mas eu não sou o gestor do clube. Não sou eu o chefe dessa área. (…) Eu virei alvo porque muitas pessoas querem que as coisas continuem sempre foram e o Conselho não faça nada”, complementou Tuma Jr.
Caso a maioria simples no Conselho aprove o impeachment de Augusto, o presidente será afastado imediatamente do cargo, que será assumido de forma temporária por Osmar Stabile, primeiro vice-presidente do clube.
Além disso, se o Conselho der parecer positivo quanto ao impeachment de Augusto, Romeu Tuma terá de definir uma data para a Assembleia Geral, que é a última instância do processo de destituição, com a participação dos associados do clube.
Por fim, Romeu Tuma Júnior também explicitou quais têm sido as medidas tomadas pelo Conselho Deliberativo do Corinthians para combater os casos de cambismo. Nos últimos meses, houve uma avalanche de reclamações de membros do Programa Fiel Torcedor, criado para beneficiar e dar prioridade, por meio de planos pagos, àqueles que pretendem adquirir ingressos para os jogos da equipe alvinegra.
As manifestações têm ocorrido nas redes sociais, nos canais de ouvidoria do clube, na plataforma do FT, e também na Polícia. Dezenas de boletins de ocorrência foram registrados por torcedores que estão adimplentes em seus planos, mas que não conseguem sequer ter a chance de comprar ingresso.
As reclamações chamaram a atenção para a situação do cambismo, que foi denunciado de forma legal. O caso foi aberto após apresentação de denúncia e identificação de evidências sobre uma eventual facilitação e participação de dirigentes e funcionários da atual gestão corintiana no repasse ou na venda combinada com grupos de cambistas.
“Eu tenho visto muito debate, muitas entrevistas, muitas notícias, até fake news. O Conselho, através das comissões de Justiça e de marketing, tem feito um trabalho sobre isso desde o ano passado. Em outubro, essas comissões apresentaram um relatório preliminar sobre o programa Fiel Torcedor. Eles ouviram muitas pessoas e inclusive a empresa que cuida do sistema. Em uma reunião comigo e com a presença do presidente, foi apresentado números que nos deixaram bastante preocupados. O pouco acesso que o Fiel Torcedor tinha ao programa. Pessoas que não eram comprovadamente sócias do clube podendo comprar ingressos. Nós procuramos a gestão, tentamos fazer um grupo de trabalho para sanar esses problemas, que eram recorrentes, e infelizmente não tivemos a colaboração da gestão. Com isso, nós começamos a receber muitas denúncias, que começaram a aumentar, sobre associados do Fiel Torcedor que, mesmo com uma pontuação alta, não conseguiam comprar ingressos. Nós chegamos a saber que tinham mais de 50 BOs em delegacias de pessoas que se sentiam lesadas. Como presidente do Conselho, comecei a seguir muitas denúncias, inclusive vindas pela Ouvidoria do clube. Fizemos vários ofícios para a diretoria, para dar respostas aos associados, mas nunca tivemos resposta”, declarou.
“Para mim, o Corinthians é vítima nisso. Assim como o Fiel Torcedor, que acredita no programa e paga sua mensalidade em dia. Procuramos a Polícia, para tomar alguma providência, investigar, doa a quem doer, e saber quais são as irregularidades que existem no sistema. E aí nós pedimos a abertura do inquérito. Como presidente do Conselho, não poderia ficar calado. Se não havia nenhuma resposta da diretoria aos ofícios do Conselho, descumprindo o Estatuto, eu não poderia acumular denúncias. Procurei a polícia, noticiei os fatos, e a polícia instaurou o inquérito, que está sob segredo de Justiça. Tudo que está sendo investigado foi por conta de providências tomadas pelo Conselho Deliberativo para proteger a instituição Corinthians”, concluiu Tuma.